Faz parte do ser sonhar. Faz parte do ser viver experiências. Faz parte do ser procurar e encontrar.
De mim, além de tudo isso, faz parte escrever. Faz parte criar. Criar com letras, palavras e frases.



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O Meu Primeiro Amor Maternal

    Estava tudo a correr correctamente. Eu estava a fazer o meu caminho, e estava a fazê-lo com êxito; apesar de levar apenas uma dúzia de anos comigo.              
    Após um dia nesse tão pensado caminho, algo banal mas que trouxe consigo algo surpreendente, aconteceu. Um telefonema. Bastou apenas e só um telefonema para que todo o meu ser adopta-se uma nova vaga de sentimentos. Um telefonema da minha irmã, que após alguns segundos ditou algo tão simples como:
    - Parabéns, tia. Estou grávida, Mariana. – Oh, sim. Era difícil assimilar a ideia; E é engraçado como todo o mundo girou e dei tanta importância àquele pequeno momento. Àquele pequeno grande momento, que era o início de algo tão grande.
    O tempo passou, e consigo os meses foram contados. A primeira vez que ouvi o bater de um coração e senti o fugaz mas poderoso movimento da pequena menina dentro do ventre da minha irmã, foram momentos memoráveis.
    Quando nasceu, este ser tão espantoso, uma nova luz dentro de mim foi criada; uma luz que até hoje me acompanha com  toda a sua imensidão. É difícil descrever a alegria constante que me seguia, e como todo o meu peito se enchia de amor sempre que olhava para aquele rosto angelical. Difícil de descrever os sentimentos que algo tão natural – mas tão belo – como um nascimento podia provocar em mim – uma simples menina de doze anos.
    A tarefa de ser madrinha só veio a acrescentar esses sentimentos, e o orgulho que sinto e me acompanha constantemente, não se compara a qualquer outro.
   A ligação criada nunca mais poderia ser quebrada.
    Sempre que ouvia simples vocábulos como ‘madrinha’, ‘olá’ ou ‘Mariana’, ditos pela sua forma tão especial e característica, sempre que ela me dava por livre vontade um sinal de carinho como um abraço, um sorriso, uma gargalhada ou um beijinho e mostrava como gostava de estar ao meu cuidado, o balão dentro de mim crescia mais e mais. Oh, mas quão diferente era este balão: tinha, e tem, o poder de nem diminuir ou rebentar.

   É verdade, sim, que todos os momentos eram como uma felicidade constante, mas os efeitos contrários também poderiam ser levados a cabo numa situação tão sentimental. Quase difícil de compreender. Logo, a ausência podia ser literalmente desastrosa, e transmitia-se como um desespero imenso. Foi com a sua emigração que estes sentimentos se apoderaram de mim. Foi como uma primeira amostra de algo do mundo adulto, que eu ainda não sabia como gerir. Sentia falta de cada momento, e as lágrimas, a dor, a saudade… Pareciam não ter fim. Sentia falta de a ter no meu abraço, de ler, brincar ou acarinhá-la. De gastar todo e quanto tempo podia na presença daquela criatura que tinha tão grande influência em mim. Uma influência como nunca antes ninguém tinha conseguido atingir, e que eu tinha a certeza que mais ninguém conseguiria. Pelo menos da mesma forma.

    Ela era a minha pequenina, a minha delicada e belíssima flor; o meu primeiro amor, digamos, maternal.


Escrito em 05.10.2009
Editado em 07.12.2010

4 comentários:

cris_dcf disse...

es linda. amo o texto. revejo-me tbm um pouco nele, sabes como é .. ly

Anónimo disse...

Oh.. obrigada :)
Sei sim, minha linda. <3 E sei que principalmente tu vais compreender o sentimento.

Plácido Zacarias disse...

"Bastou apenas e só um telefonema para que todo o meu ser adopta-se uma"

?

Anónimo disse...

Siiim?