Faz parte do ser sonhar. Faz parte do ser viver experiências. Faz parte do ser procurar e encontrar.
De mim, além de tudo isso, faz parte escrever. Faz parte criar. Criar com letras, palavras e frases.



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Momento.

E era uma vez um momento.
Uma hora, uma data, um local.
Uma acção, uma pessoa, um desejo.
Um momento por que se anseia em aceder.
Poder remar de volta à partida, poder fazer a seta voltar, poder calar as palavras ditas.
Mas mais do que reter acções, voltar atrás para as poder praticar.
Para em vez de fazer a seta voltar, não se arrepender por não a ter lançado.
Em de remar de volta à partida, poder começar algo.
Em vez de calar as palavras, poder saber o que iria acontecer se as dissesse.
Se o fizesse.

E era uma vez um momento.
Um momento de sabor, paixão e emoção.
Com proezas acabadas e canções cantadas.
Com saltos dados, e com frases escritas.
Com sorrisos prometidos e abraços devidos.
Com trocas, com surpresas e certezas.

E era uma vez um momento.
Sem arrependimentos e injustiças.
Um momento sem amarguras.
Sem tímidos olhares e sem meios sorrisos.
Sem virar costas e sem pseudo-apoios.
Sem falsidades e improfundidades.

E era uma vez um momento.
Um momento feliz para sempre.
Um momento perfeito.

Mas um momento inumano.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Saudade

é a perda repentina
e a ansiedade permanente;

É a essência do sorriso
perdida no olhar,

e a consciência da realidade
escondida na verdade;

É o poder e não poder,
o sonhar e não sonhar,
com o encontrar e desencontrar.



Mariana Antero - 25.05.2008

domingo, 7 de novembro de 2010

O Imperfeito

Não sabia como começar um blog. Deveria ou não escrever introdução? Um desabafo ou um texto criativo? Seja como for, o texto que se segue foi escrito em 5 minutos, num surto de vontade para escrever que tive há uns dias. Não é suposto ser triste, mas sim algo verdadeiro, com que todos nos confrontamos na vida.


O vento alterna conforme lhe apetece, desenhando formas invisíveis no ar que contagiam o que está à sua volta. Os cabelos mais suaves voam como se tivessem vontade própria, as copas dos carvalhos abanam elegantemente e os resquícios de água que se encontram por toda a parte adquirem formas inquietantemente belas. Faz parte da magia do Universo.
A mesma magia que tanto oferece como retira. A mesma magia que é capaz de formar as mais apaixonantes emoções, como as mais tenebrosas. Aquela magia que nos faz sentir no topo de uma pirâmide altíssima, mas que de repente nos atira para o poço mais profundo.
A magia da vida. Do ser. Do perfeito e imperfeito.
E como obra do oferecer e retirar, por vezes esta magia erra e retira-nos o que de mais precioso existe; o que de mais precioso temos. Aquilo que desejamos nunca perder, e pelo qual mais lutamos para manter. Aquilo a que damos tantas forças quanto as que podemos, a que dedicamos tempo possível e impossível, a que mostramos o nosso verdadeiro ser e estar. Aquilo que, apesar de querermos controlar para termos sempre debaixo do nosso amparo, acaba por não ser nosso e se deixa levar tão facilmente, com a mesma elegância das copas dos carvalhos.
E é depois disso que as emoções mais tenebrosas vêm ao de cima. É depois disso que damos por nós no mais profundo dos poços, sem conseguir encontrar o caminho de saída. Aliás, sem querer. Porque nesse lugar podemos fechar os olhos e respirar. Porque nesse lugar, sendo tudo escuro, também tudo é fácil de compreender; sim, porque chegando ao cimo, os nossos olhos abrir-se-ão a toda a luz que puderem, mesmo que não sejamos capazes de a assimilar. E aí, a dor regressará exactamente com a mesma suavidade dos cabelos que agem como se tivessem vontade própria.
Suavidade, que confrontada com a realidade, adquirirá tal peso que teremos de nos esforçar para tentar mostrar como este não nos afecta. Como somos fortes e conseguimos ultrapassar os obstáculos. Como temos uma mente limpa que não se contorce pelas dificuldades. Para tentar mostrar que podemos ser perfeitos, mas falhando. Porque a ilusão nunca, NUNCA é o melhor caminho. Aceitar sim. Aceitar será.
Mas a verdade, é que partir até pode ser fácil. Tranquilo. Libertador.
Mas e os que ficam para trás? Aí sim, pesa. E muito.